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Capítulo 4 - Porto Alegre/RS
Sua bandeira sobre nós é o amor

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SE DEUS EXISTE, ENTÃO POR QUE EXISTE O MAL?

Ateu: - Se realmente existe um Deus teísta que é completamente bom e todo poderoso, então por que ele permite a existência do mal?

Cristão: - Como você pode saber o que é o mal a não ser que saiba o que é o bem? E como você sabe o que é o bem a não ser que possua um padrão objetivo de bem que esteja além de você?

Ateu: - Não tente evitar a pergunta.

Cristão: - Não estou tentando fugir da pergunta. Estou simplesmente mostrando-lhe que sua reclamação pressupõe que Deus existe. De fato, a existência do mal não é uma prova contra a existência de Deus. Ela pode provar que Satanás existe, mas não pode provar que Deus não exista.

Ateu: - Argumento interessante, mas ainda não estou convencido.

Cristão: - Você pode não estar convencido, mas a sua reclamação ainda assim pressupõe a existência de Deus.

Ateu: - Em favor do argumento, suponha que eu considere a existência de Deus. Você vai responder à pergunta?

Cristão: - Certamente. É bom ver que você está fazendo progresso.

Ateu: - Lembre-se de que estou fazendo isso apenas em favor do argumento. Então, por que o seu assim chamado Deus "todo-poderoso" não impede a existência do mal?

Cristão: - Você realmente quer que ele faça isso?

Ateu: - Naturalmente!

Cristão: - Vamos supor que comece com você.

Ateu: - Fale sério.

Cristão: - Não, de verdade. Sempre falamos sobre Deus conter o mal, mas nos esquecemos de que, se ele o fizer, vai precisar nos conter também. Todos nós fazemos alguma coisa de mal.

Ateu: - Ora, faça-me o favor! Não estamos falando sobre os pecados menores que eu e você cometemos, mas estamos falando sobre o mal verdadeiro, como aquele que Hitler fez!

Cristão: - Minha questão não é a gradação do mal, mas a fonte do mal. A fonte do mal é o nosso livre-arbítrio. Se Deus fosse eliminar todo mal, então teria de eliminar o nosso livre-arbítrio. E se ele eliminasse o nosso livre-arbítrio, não teríamos mais a capacidade de amar ou de fazer o bem. Este não seria mais um mundo moral.

Ateu: - Mas nem todo o mal se deve ao livre-arbítrio. Por que os bebês morrem? Por que acontecem desastres naturais?

Cristão: - A Bíblia faz uma ligação de tudo isso com a Queda do homem. Ninguém é realmente inocente porque todos nós pecamos em Adão (Rm 5.12) e, como conseqüência, merecemos a morte (Rm 6.23). Desastres naturais e mortes prematuras são resultado direto da maldição sobre a criação por causa da Queda da humanidade (Gn 3; Rm 8). Este mundo decaído não será consertado até que Cristo volte (Ap 21 e 22). Desse modo, ninguém tem garantia de uma vida livre de problemas ou de chegar a uma boa idade.

Ateu: - Puxa, isso é muito conveniente - você tira a poeira da Bíblia e nos diz que Deus consertará tudo no final! Não estou interessado no futuro. Eu quero pôr fim à dor e ao sofrimento agora! Por que Deus não dá fim a tudo isso?

Cristão: - Ele eliminará tudo isso, mas não de acordo com sua agenda. O simples fato de Deus não ter feito cessar definitivamente o mal não significa que ele não o fará no final.

Ateu: - Mas por que Cristo não volta agora mesmo para pôr fim a todo sofrimento? A soma de toda a dor humana é enorme!

Cristão: - Em primeiro lugar, ninguém está experimentando a "soma de toda a dor humana". Se está fazendo 35° em Copacabana, 30° em Ipanema e 32° na Tijuca, o carioca não está sentindo um calor de 97°, está?

Ateu: - Não.

Cristão: - Isso mesmo, cada pessoa experimenta sua própria dor.

Ateu: - Mas isso ainda não explica por que Deus não coloca um ponto final em tudo isso agora. Por que está esperando?

Cristão: - Se Deus quisesse fazer cessar definitivamente o mal agora, ele poderia. Mas você já pensou que talvez Deus tenha outros objetivos que gostaria de alcançar enquanto o mal existe?

Ateu: - Tal como o quê?

Cristão: - Para começar, ele gostaria que mais pessoas escolhessem o céu antes de ele fechar a cortina deste mundo. O Apóstolo Paulo parece indicar que Jesus voltará depois que a "plenitude" de pessoas se torne crente (Rm 11.25).

Ateu: - Bem, enquanto Deus está esperando pela "plenitude" de pessoas a serem salvas, outras pessoas estão sofrendo!

Cristão: - Sim, estão. Isso significa que os cristãos têm um trabalho a fazer. Nós temos o privilégio de ajudar essas pessoas que estão sofrendo. Somos embaixadores de Cristo neste mundo.

Ateu: - Isso é interessante, mas, se eu estivesse sofrendo, preferiria que Deus me ajudasse, em vez de você!

Cristão: - Se Deus impedisse a dor todas as vezes que tivéssemos algum problema, então nos tornaríamos as criaturas mais negligentes e egoístas do Universo. Nunca aprenderíamos com o sofrimento.

Ateu: - Aprender com o sofrimento? Do que você está falando?

Cristão: - Ah, você acabou de ver outra razão pela qual Deus não põe fim ao mal exatamente agora. Você pode me citar uma lição duradoura que tenha aprendido do prazer?

Ateu: - Dê-me um minuto.

Cristão: - Eu poderia lhe dar uma hora; duvido que possa relatar muitas coisas. Se você pensar sobre isso, vai descobrir que praticamente toda lição valiosa que já aprendeu resultou de alguma dificuldade em sua vida. Na maioria dos casos, a má sorte ensina enquanto a boa sorte engana. De fato, você não apenas aprende lições com o sofrimento, como ele é praticamente a única maneira pela qual pode desenvolver as virtudes.

Ateu: - O que você quer dizer?

Cristão: - Você não pode desenvolver coragem a não ser que esteja em perigo. Não pode desenvolver perseverança a não ser que tenha obstáculos no caminho. Não vai aprender como ser servo a não ser que exista alguém a quem servir. A compaixão nunca será compreendida se não houver uma pessoa que esteja passando por uma necessidade ou enfrentando o sofrimento. É como diz aquela expressão: "Sem dor, não tem valor".

Ateu: - Mas eu não precisaria de todas essas virtudes se Deus simplesmente banisse o mal exatamente agora!

Cristão: - Mas uma vez que Deus tem razões para não banir o mal exatamente agora, você precisa desenvolver virtudes para esta vida e para a depois desta. Este mundo é um lar desconfortável, mas é uma grande academia para a vida futura.

Ateu: - Vocês, cristãos, sempre apontando para a vida futura. Ficam tão concentrados no céu que não conseguem se concentrar na Terra!

Cristão: - Podemos pensar muito no céu, mas sabemos que aquilo que fazemos aqui tem implicações eternas. As virtudes que um crente desenvolve por meio do sofrimento vão melhorar sua capacidade de desfrutar a eternidade. Paulo diz que "Os nossos sofrimentos leves e momentâneos estão produzindo para nós uma glória eterna que pesa mais do que todos eles" (2Co 4.17; cf. Rm 8.18).

Ateu: - De que maneira as dificuldades daqui vão me ajudar a me sentir melhor num lugar onde não vai existir dor de qualquer tipo?

Cristão: - Você gosta de futebol, não gosta?

Ateu: - Já vi alguns jogos.

Cristão: - Como se sente qualquer jogador que vence o campeonato nacional?

Ateu: - Muito contente, é claro!

Cristão: - Será que o capitão do time vencedor - que também foi o artilheiro do campeonato - desfruta da vitória muito mais do que aquele reserva que nunca entrou em campo?

Ateu: - Suponho que sim.

Cristão: - É claro que sim. Embora o reserva esteja feliz por fazer parte do time vencedor, a vitória é muito mais saboreada pelo capitão que também leva o prêmio de artilheiro porque ele contribuiu para isso e perseverou durante o ano todo para obtê-la. Ao persistir diante de todas as dificuldades e dores de se jogar, ele na verdade aumentou sua capacidade de desfrutar da vitória. E ela tornou-se ainda mais saborosa quando ele recebeu o troféu de artilheiro do campeonato.

Ateu: - Mas o que o futebol tem a ver com o céu?

Cristão: - O céu será muito semelhante a um vestiário de time vencedor (mas sem o cheiro!). Todos estaremos felizes por estar ali, mas alguns terão uma capacidade ainda maior de desfrutar dele e receberão também mais prêmios que outros. Afinal de contas, a justiça de Deus exige que existam graus de recompensa no céu assim como haverá graus de punição no inferno.

Ateu: - Então você está dizendo que a vida é como o campeonato nacional?

Cristão: - Até certo ponto, sim. Tal como o campeonato nacional, a vida possui regras, um juiz e prêmios. Contudo, na vida não há espectadores todo mundo está num jogo - e já sabemos quem vai ganhar. Cristo ganhará e, independentemente da habilidade, qualquer um pode ser um vencedor simplesmente por se juntar ao time. Embora todo mundo no time desfrute da vitória, alguns vão apreciá-la ainda mais por causa das dificuldades que experimentaram durante o jogo e das recompensas que vão receber por ter jogado bem. Em outras palavras, o sentimento de vitória é maior quanto mais intensa for a batalha.

Ateu: - Então você está dizendo que o mal tem um propósito com implicações eternas?

Cristão: - Sim.

Ateu: - Por que você insiste em colocar tudo debaixo da luz da eternidade?

Cristão: - Porque todos nós vamos passar muito mais tempo na outra vida do que nesta aqui! Além do mais, a Bíblia ensina que devemos olhar para o que é eterno, e a vida só faz sentido à luz da eternidade. Se não existe a eternidade, então não há um propósito último para nada, seja prazer seja dor.

Ateu: - Suponha que não exista eternidade. Suponha que vivamos, morramos e tudo se acabe.

Cristão: - Isso é possível, mas não tenho fé suficiente para acreditar nisso.

Ateu: - Por que não?

Cristão: - Você já leu este livro?

Ateu: - Não, eu pulei direto para este apêndice.

Cristão: - Você é assim mesmo, não é? Você não quer jogar; simplesmente quer ver o resultado final.

Ateu: - Suponho que eu sofra da doença mundial da gratificação instantânea.

Cristão: - É provavelmente por isso que você está tendo dificuldades para perceber o valor do sofrimento e da expressão "Sem dor, não tem valor"!

Ateu: - Você está certo, este livro é muito doloroso. Ele é grande demais.

Cristão: - Ele poderia ser menor se não tivéssemos de abordar todas essas argumentações malucas que vocês, ateus, levantam. Além do mais, você dispõe de tempo para ler. As manhãs de domingo são livres para você.

Ateu: - Existem coisas muito menos dolorosas que eu poderia fazer numa manhã de domingo.

Cristão: - Olha, eu sei que este livro pode ser doloroso de ler, mas é mais doloroso ainda rejeitar a sua conclusão. Você precisa ler este livro desde o início até o fim se quiser ver o argumento completo em favor do cristianismo. A questão é abordada de maneira lógica. Cada capítulo se baseia no anterior.

Ateu: - Tudo bem, eu vou ler o livro. Mas, enquanto isso, vamos voltar à questão do mal. Se existe eternidade, então alguns males deste mundo podem ter um propósito eterno. Mas certamente existem alguns atos malignos deste mundo que não têm absolutamente propósito algum.

Cristão: - Como você sabe disso?

Ateu: - É óbvio! Que propósito benéfico poderia ter, digamos, os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001?

Cristão: - Embora eu desejasse que aquilo nunca tivesse acontecido, ficamos sabendo que houve algumas coisas boas que surgiram daqueles acontecimentos terríveis. Os Estados Unidos, por exemplo, ficaram mais próximos como país; ajudamos aquelas pessoas que estavam passando por necessidades; resolvemos enfrentar o mal do terrorismo. Também ficamos chocados ao ponderar as questões derradeiras da vida, e algumas pessoas chegaram a Cristo como resultado disso. Como disse C. S. Lewis, a dor é o "megafone de Deus para despertar um mundo surdo". O episódio do Onze de Setembro certamente nos despertou!

Ateu: - Sim, você pode encontrar uma ponta de bem em qualquer coisa ruim, mas de maneira alguma a sua "ponta de bem" é maior do que a dor e o sofrimento.

Cristão: - Como você pode ter certeza disso? A não ser que saiba todas as coisas e tenha uma perspectiva eterna, como pode saber que os eventos do Onze de Setembro não vão cooperar para o bem no final de tudo? Talvez existam muitas coisas boas que surjam daquela tragédia na vida de cada pessoa, coisas sobre as quais nunca saberemos. De fato, bons resultados podem surgir até mesmo gerações depois, sem que aqueles que experimentaram aquilo tenham consciência do que está acontecendo.

Ateu: - Ora, isso é uma desculpa!

Cristão: - Não, é simplesmente reconhecer nossos limites e reconhecer o conhecimento limitado e os propósitos ocultos de Deus (Rm 11.33-36). Não podemos ver o futuro neste planeta, quanto mais como será a eternidade no céu. Assim, como podemos dizer que o resultado final do Onze de Setembro não vai produzir alguma coisa boa? Já sabemos algumas coisas boas que resultaram dele. O simples fato de não podermos pensar numa boa razão final ou num propósito para ele não significa que o Deus infinito não tenha um propósito.

Ateu: - Se Deus pudesse me mostrar as suas razões, então talvez eu pudesse acreditar em você.

Cristão: - Jó já tentou essa tática. Depois de questionar a Deus sobre a razão de ele estar sofrendo, Deus o deixou desconcertado com perguntas sobre as maravilhas da criação (Jó 38-41). É como se Deus estivesse dizendo a ele: "Jó, se você não pode nem entender como eu dirijo o mundo físico que você pode ver, como então compreenderia o amplamente mais complexo mundo moral que não pode ver - o mundo no qual os resultados de bilhões de escolhas feitas em função do livre-arbítrio dos seres humanos a cada dia podem interagir umas com as outras?". De fato, seria impossível para nós compreendermos tal complexidade. A propósito, você já viu o filme A felicidade não se compra (no original, It's a wonderful life [A vida é maravilhosa])?

Ateu: - Você quer dizer aquele com James Stewart, que passa todo nat ... , quer dizer, todo solstício de inverno?

Cristão: - Sim, esse mesmo. Jimmy Stewart faz o papel de George Bailey, uma personagem que está desesperada porque seus negócios vão mal e sua vida parece estar desabando. Ele é salvo de uma tentativa de suicídio no último minuto por um anjo, que lhe mostra como teria sido a vida para outras pessoas caso George não tivesse nascido. Ele descobre que a vida teria sido terrível para muitas pessoas em toda a sua cidade natal. Mas George nunca soube disso. Ele nunca percebeu o maravilhoso impacto que sua vida teve sobre os outros. Daí o título, It's a wonderful life.

Ateu: - Ah, isso é tapeação!

Cristão: - Ora, você entendeu, não?

Ateu: - Sim, entendi: não sabemos que impacto qualquer pessoa ou fato pode ter a longo prazo, especialmente porque existem tantas escolhas que interagem entre si.

Cristão: - Sim, até mesmo as escolhas feitas para o mal podem transformar-se em bem (Gn 50.20). Talvez muitas pessoas hoje ou gerações à frente da nossa acheguem-se a Cristo por causa de efeitos diretos ou indiretos de acontecimentos ruins.

Ateu: - Mas isso parece ser uma um argumento baseado na ignorância.

Cristão: - Não. Não é como se não tivéssemos nenhuma informação sobre a razão de as coisas ruins acontecerem. Sabemos que vivemos num mundo decaído e também que coisas boas podem surgir com base em coisas ruins. Desse modo, sabemos que é possível que Deus possa ter uma boa razão para as coisas ruins, mesmo que desconhecendo suas razões. E sabemos que ele pode extrair o bem do mal. Desse modo, não é um argumento fundamentado na ignorância, mas uma conclusão proveniente daquilo que sabemos. Embora não compreendamos a razão de cada coisa ruim específica que acontece na vida, entendemos por que não sabemos: por causa das nossas limitações humanas.

Ateu: - O que você acha da resposta do rabino Kushner a essa pergunta? Você sabe, ele escreveu o livro Quando coisas ruins acontecem a pessoas boas.

Cristão: - Eu acho que a resposta dele está errada.

Ateu: - Errada? Por quê?

Cristão: - Porque sua resposta é que Deus não é suficientemente poderoso para derrotar o mal sobre a Terra. Desse modo, precisamos perdoar Deus por permitir a presença do mal.

Ateu: - O que há de errado com isso?

Cristão: - É que existem fortes evidências de que Deus é infinitamente poderoso. A Bíblia trata Deus como "todo-poderoso" em 56 lugares diferentes e, de várias outras maneiras, ele é descrito como todo-poderoso. Nós também sabemos, com base em evidências científicas, que ele criou este Universo do nada (dê uma olhada no cap. 3 deste livro). Desse modo, o deus finito do rabino Kushner não se enquadra com os fatos.

Ateu: - Se Deus é infinitamente poderoso como você diz, então por que ele permite que coisas ruins aconteçam a pessoas boas?

Cristão: - Já destacamos que existem resultados benéficos da dor e do sofrimento. Mas também precisamos destacar que essa pergunta faz mais uma suposição que não é verdadeira.

Ateu: - Que suposição é essa?

Cristão: - Não existem pessoas boas!

Ateu: - Ora, tenha dó!

Cristão: - Não, é verdade. Algumas pessoas são melhores do que outras, mas ninguém é realmente bom. Todos nós temos uma tendência natural para o egoísmo. E todos nós cometemos pecados rotineiramente.

Ateu: - Eu faço mais coisas boas do que ruins.

Cristão: - De acordo com qual padrão?

Ateu: - Com o padrão da sociedade. Sou um cidadão respeitador da lei. Não sou assassino nem ladrão.

Cristão: - Esse é o problema. Nós nos consideramos boas pessoas simplesmente de acordo com os padrões das pessoas ruins. Nós nos julgamos em relação aos outros, em vez de nos julgarmos por um padrão absoluto do bem. A propósito, você já roubou alguma coisa?

Ateu: - Bem, sim.

Cristão: - Você já mentiu sobre alguma coisa?

Ateu: - Não.

Cristão: - Você está mentindo.

Ateu: - Eu posso enganar você.

Cristão: - Então você é um ladrão mentiroso!

Ateu: - Isso não significa que eu seja completamente ruim.

Cristão: - Não, mas significa que você não é plenamente bom também. Pense sobre isso: é muito mais fácil ser ruim do que bom; é muito mais natural para você ser egoísta do que generoso. Todos nós possuímos a natureza humana corrompida. Como disse Agostinho, "todos nós nascemos com uma propensão para o pecado e uma necessidade de morrer". Essa propensão é inata. É por isso que crianças pequenas naturalmente pegam uma coisa e dizem "É meu!". É também por isso que James Madison disse: "Se os homens fossem anjos, não haveria necessidade de haver governo".

Ateu: - Então Kushner faz pressuposições incorretas sobre a natureza do homem e a natureza de Deus.

Cristão: - Exatamente. A pergunta não é "Por que coisas ruins acontecem a pessoas boas?", mas "Por que coisas boas acontecem a pessoas ruins?".

Ateu: - Se Deus é realmente todo-poderoso como você diz, ainda não entendo por que não impediu o Onze de Setembro. Se você soubesse o que estava para acontecer e tivesse o poder de impedi-lo, não o teria feito?

Cristão: - Sim.

Ateu: - Então você é melhor do que Deus!

Cristão: - Não, ao impedir o que hoje denominamos Onze de Setembro, eu estaria evitando o mal. Mas Deus, que possui uma perspectiva eterna ilimitada, permite escolhas ruins, sabendo que ele pode redimi-las no final. Nós não podemos redimir tais escolhas e, assim, tentamos evitá-las.

Ateu: - Sim, mas de acordo com sua doutrina cristã, Deus não redime todas as escolhas ruins no final. Além do mais, algumas pessoas vão para inferno!

Cristão: - Sim, mas isso porque Deus pode trazer bem eterno somente àqueles que o aceitam. Algumas pessoas ignoram os fatos ou simplesmente optam por jogar o jogo de uma maneira que vai lhes trazer a derrota. Uma vez que Deus não pode forçá-las a livremente escolher jogar o jogo da maneira correta, o bem último vem somente sobre aqueles que optam por ele. É por isso que Paulo diz: "Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito" (Rm 8.28). Perceba que ele não diz que "todas os coisas são boas". Ele afirma que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam.

Ateu: - Então de que maneira Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que morreram no Onze de Setembro?

Cristão: - Aqueles que amavam a Deus e aceitaram o dom gratuito da salvação estão com Deus na eternidade. Aqueles que não fizeram isso também estão sendo respeitados em sua livre escolha pela separação eterna.

Ateu: - E o resto de nós?

Cristão: - Aqueles de nós que permanecem aqui ainda têm tempo de fazer sua própria decisão. E aqueles que já eram cristãos no momento podem ter tido seu caráter fortalecido por meio do que ocorreu nessa data.

Ateu: - Mas se Deus é plenamente bom e sabe todas as coisas, por que criaria seres que sabia que iriam para o inferno?

Cristão: - Boa pergunta. Deus teve apenas cinco opções. Ele poderia: 1) não ter criado nada; 2) ter criado um mundo não livre, repleto de robôs; 3) ter criado um mundo livre onde não poderíamos pecar; 4) ter criado um mundo livre onde poderíamos pecar, mas no qual todos aceitariam a salvação de Deus; ou 5) ter criado um mundo como o que temos agora - um mundo onde nós pecaríamos, alguns seriam salvos, e o restante se perderia.

Ateu: - Sim, e parece que Deus escolheu a pior das cinco opções! É por isso que Deus não é plenamente bom!

Cristão: - Não tão rápido. A primeira opção não pode sequer ser comparada com as outras quatro porque "alguma coisa" e "nada" não possuem nada em comum. Comparar o mundo real a um não-mundo não é nem mesmo como comparar maçãs com laranjas, uma vez que ambas são frutas. É como comparar maçãs com não-maçãs, insistindo que não-maçãs têm gosto melhor. Na lógica, isso é chamado de erro de categoria. É como perguntar: "Que cor é a matemática?". A matemática não é sequer uma cor, de modo que a pergunta não faz sentido.

Ateu: - Se comparar a existência com a não-existência é um erro de categoria, então Jesus cometeu um erro de categoria quando disse que 'teria sido melhor se Judas nunca tivesse nascido (Mt 26.24).

Cristão: - Não, Jesus não estava falando sobre a supremacia do não-ser sobre o ser. Estava simplesmente fazendo uma declaração enfática sobre a severidade do pecado de Judas.

Ateu: - O.k., então por que Deus não fez a segunda opção, um mundo de robôs?

Cristão: - Ele poderia ter feito essa opção, mas este não seria um mundo moral. Seria um mundo sem o mal, mas também sem o bem moral.

Ateu: - Então por que ele não criou os mundos três ou quatro? Esses mundos permitiriam a existência do amor e certamente seriam melhores do que este.

Cristão: - Sim, mas nem tudo o que é concebível pode ser alcançável tendo-se criaturas livres. Por exemplo: é concebível que eu pudesse estar roubando um banco, em vez de estar falando com você. Mas isso não é alcançável porque eu livremente optei por conversar com você. Do mesmo modo, Deus não pode forçar criaturas livres a não pecarem. Liberdade forçada é uma contradição.

Ateu: - Mas este mundo poderia ser melhor se houvesse pelo menos um assassinato a menos ou um estupro a menos. Desse modo, Deus falhou porque ele não criou o melhor mundo possível.

Cristão: - Espere um pouco. Embora possa admitir que este mundo não seja o melhor mundo possível, ele pode ser a melhor maneira para se chegar ao melhor mundo possível.

Ateu: - Que papo psicoteísta é esse?

Cristão: - Deus pode ter permitido o mal com o objetivo de derrotá-lo. Como já disse, se o mal não fosse permitido, então as mais elevadas virtudes não poderiam ser alcançadas. As pessoas que são redimidas possuem um caráter mais forte do que aquelas que não foram provadas. A edificação da alma exige alguma dor. O Jó do capítulo 42 é um homem mais profundo e mais alegre do que o Jó do capítulo 1. Desse modo, o mal neste mundo realmente serve para um bom propósito no final. Ele criou um mundo eterno que é o melhor mundo possível.

Ateu: - Mas por que Deus criaria pessoas sabendo que elas escolheriam o inferno?

Cristão: - Você tem filhos?

Ateu: - Sim. O fato é que eu mesmo já fui criança!

Cristão: - Por que você os teve, sabendo que, algum dia, eles não lhe obedeceriam?

Ateu: - Minha esposa sempre me faz essa pergunta!

Cristão: - Eu sei por que tive filhos. Porque o amor assume riscos. Eu estava disposto a assumir o risco da perda com o objetivo de experimentar a alegria do amor. O mesmo é verdadeiro em relação ao campeonato nacional de futebol. Os dois times sabem que um vai perder, mas ambos estão dispostos a participar do jogo apesar do risco.

Ateu: - Devo admitir que suas respostas intelectuais fazem algum sentido, mas o mal ainda me perturba.

Cristão: - Ele também me perturba, e deve ser assim. Todos nós sabemos que este mundo simplesmente não é certo, e todos desejamos o céu. Talvez o nosso desejo pelo céu seja outra pista de que ele realmente existe (algumas das outras pistas são as evidências que apresentamos neste livro).

Ateu: - Talvez, mas não acho que as suas respostas intelectuais possam ajudar uma pessoa que esteja sofrendo.

Cristão: - Você pode estar certo. Não posso afastar o mal simplesmente com palavras. Você pode ter acesso ao Consolador Divino - o Espírito Santo - que vai ajudá-lo a passar por esta vida de edificação da alma repleta de dor e sofrimento.

Ateu: - Eu preferiria não ter sofrimento algum a ter um consolador.

Cristão: - Talvez seja por isso que Deus não nos dê o controle sobre o sofrimento. Se ele fizesse isso, quem optaria por passar por ele?

Ateu: - Ninguém.

Cristão: - Bem, isso não é exatamente verdade. Um homem certamente optou por sofrer. Jesus Cristo se voluntariou a sofrer, de modo que você e eu pudéssemos nos reconciliar com Deus. Essa foi a única causa real de uma coisa ruim acontecer a uma pessoa verdadeiramente boa. Desse modo, podemos reclamar com Deus sobre a dor e o sofrimento, mas precisamos admitir que ele não se isentou deles. Quanto a você e a mim, às vezes Deus nos salva do mal, mas às vezes ele nos conforta por meio do mal. Seja qual for o evento, quer saibamos as suas razões quer não, os crentes podem confiar em Deus no sentido de que todas as coisas vão trabalhar em conjunto para o bem, de acordo com seu plano eterno.


Autor: Norman Geisler & Frank Turek
Fonte: Apêndice 1 do Livro "Não tenho fé suficiente para ser ateu" - Editora Vida

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